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Editorial

31/05/2017 ás 20h00 - atualizada em 31/05/2017 ás 21h22

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Cloves Ferreira

Cotia / SP

Porque só julgamos as pessoas?
Irmão de Suzane von Richthofen é retirado de Cracolândia em São Paulo Andreas foi encaminhado a hospital, após ser detido, desorientado, tentando pular o muro de uma casa
Porque só julgamos as pessoas?
Andreas tinha apenas 15 anos quando os pais foram mortos pela irmã, em conluio com o namorado Daniel Cravinhos e o cunhado, em 31 de outubro de 2002.

Andreas Albert von Richthofen tinha apenas 15 anos quando seus pais foram brutalmente mortos enquanto dormiam e a descoberta dos autores do crime foi ainda mais chocante. Não é que ele mereça maior comoção e ações mais contundentes para pronta recuperação do que todos os outros que estão ou estavam na cracolândia, em São Paulo, mas a sua internação é, acima de tudo, representativa. A imagem do homem sujo, ferido, com roupas rasgadas deve ser pensada como um ícone das consequências danosas, muitas vezes irreversíveis, que a desestruturação familiar e o trauma, podem causar em uma pessoa.


Andreas era um garoto tímido e apegado ao pai, ele veio de uma família financeiramente bem sucedida, frequentou as melhores escolas particulares, se formou na universidade, mas nada disso foi capaz de impedir que ele fosse parar na cracolândia. E, assim como ele, muitos outros moradores de lá também tiveram problemas familiares, a maioria deles causados pela pobreza, uso de drogas e falta de oportunidade. Ser rico não blindou Andreas da dor e, sem apoio, ele procura a fuga naquilo que seja mais rápido e eficaz, as drogas, que seduz e leva cada vez mais adultos, jovens e adolescentes ao mundo obscuro da solidão, do isolamento e do fundo do poço.


O apego de Andreas à família é tão visível, que mesmo internado, sua única preocupação era a medalhinha onde estava escrito o nome Richthofen, um brasão de sua família, que deve ter uma representação emocional muito forte para ele, e que foi retirada para exames. Talvez essa fosse a sua única identificação familiar. Quem imaginaria alguém como ele, já um rapaz de 29 anos, herdeiro de uma fortuna avaliada em 11 milhões na cracolândia? Mas há muitos, muitos Andreas por lá, ricos, pobres, classe média. Hoje se fala muito em novas formações familiares e só tenho a aplaudir a aceitação social, mas os velhos problemas da “família tradicional” não são pensados e discutidos com profundidade e a falta de amor ainda é a grande vilã da destruição dos laços que envolvem as famílias e principalmente nós; os seres humanos. Muito triste ver as pessoas falando mal e julgando o Andreas Richthofen. Ninguém sabe o que este garoto passou na adolescência ao perder seus pais, mortos pela irmã... imaginem como deve ter afetado psicologicamente a cabeça dele, coitado! Será mais fácil criticar, do que ajudar? Ao invés de falar besteira; debochar ou criticar, deviam visitar ele no hospital, mandar vibrações positivas e torcer para que ele se recupere rápido e saia deste mundo solitário. Nestas horas que me pergunto: cadê os amigos? Cadê a solidariedade e compaixão humana? 


Saibam que o Andreas, se formou em Farmácia e Bioquímica pela Universidade de São Paulo, em 2010. Além disso, ele é doutorado em Química Orgânica pelo Instituto de Química USP (2015). Ninguém pode dizer que ele não fez muito sozinho até aqui. Ele se esforçou sozinho, por isso... Oramos a Deus que ele possa encontrar um sentido para sua vida a partir desse resgate. Artigo escrito por Cloves Ferreira, editor do JT. 


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