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números alarmantes

Violência doméstica: a chaga que aflige as mulheres

mulheres estão denunciando cada vez mais os agressores

17/05/2019 22h53Atualizado há 5 meses
Por: Jacson Andrade
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A primeira versão deste texto saiu com certa facilidade porque eu estava empolgado com a ideia de que o divórcio extrajudicial, por sua rapidez, seria uma solução viável em casos de violência doméstica, tendo em vista que as denúncias aumentaram e as estatísticas são alarmantes.

Recentemente a câmara aprovou e seguiu para o Senado um projeto de lei da deputada Erika  Kokay que facilita o divórcio em caso de violência doméstica. Tal projeto visa acelerar os procedimentos judiciais e garantir proteção à mulher em situação de risco.

A aprovação do projeto de lei na Câmara dos Deputados é o primeiro passo, mas há um longo caminho a percorrer, logo mais os Senadores analisarão e depois seguirá para assinatura do presidente se não houver alteração no texto da lei. Esse trâmite pode demorar meses ainda ou até alguns anos dependendo da boa vontade de quem o movimenta.

Como disse anteriormente acreditei que o divórcio extrajudicial poderia preencher essa lacuna, dando agilidade ao procedimento e, querendo, evitando o contato entre as partes através de procurações com a finalidade específica para assinatura do divórcio. Sem falar que são poucos requisito para levar a questão ao cartório, vejamos: consentimento de ambos, não ter filhos menores ou gravidez, bens e pensão já definidos e a contratação de um advogado.

Mandei o texto para uma amiga que trata da área do direito de família que me alertou para o equívoco que eu cometia em argumentar esta possibilidade. Ela me disse que atuou em nas Varas de família e  nos casos de agressão não havia a menor possibilidade de reconciliação. Sem falar no risco para a vítima que pedira o divórcio.

Fiquei pensando que apesar de uma agressão as pessoas poderiam chegar a um consenso sobre a separação. Eu estava muito enganado.

Pesquisando a questão, descobri que as vítimas temem pela vida até no momento em que vão denunciar e muitas mulheres silenciam por medo, também silenciam pelo despreparo dos agentes da lei em tratar dos casos, por vergonha da exposição, pelo vínculo afetivo e financeiro, dentre outros motivos.

É difícil perceber esses detalhes num primeiro momento, no entanto, quando parei para analisar algumas pessoas à minha volta consegui perceber o que impedia algumas mulheres se libertarem de seus respectivos relacionamentos tóxicos e, realmente, o primeiro fator é a dependência afetiva.

Os Agressores minam a confiança dessas mulheres dizendo que elas não são boas o suficiente para nenhum outro cara, que jamais encontrarão alguém que possa lhes proteger, que possa fazer o favor de estarem com elas, apesar da ausência de beleza e/ou inteligência. Ora, neste caso a violência psicológica é mascarada com gestos de condescendência e a autoconfiança das vítimas é dilapidada aos poucos.

Para se ter uma ideia, conheci um casal que em poucos minutos de convivência o rapaz chamou a namorada de burra umas três vezes, rindo, como se fosse brincadeira. Aquilo me incomodou porém ela não esboçou nenhuma reação, então envergonhado com minha covardia deixei para lá.

Conheci outro casal onde a esposa só reproduzia as opiniões do marido e tudo de errado que acorria era por culpa dela, apesar de todas as decisões, principalmente financeiras, eram tomadas por ele.

Enquanto num terceiro exemplo, havia uma relação de empregada e patrão entre eles. Ela fazia tudo como uma espécie de babá para o marmanjo e ele lhe dava todos os bens necessários para sua sobrevivência. Também  decidia  as roupas que ela poderia usar.

Citei estes exemplos porque são sintomas que podem chegar à violência física. Estes são os primeiros sinais que denotam o sentimento de posse. A sensação de controle e desprezo pela humanidade do outro culminam em agressões físicas. O tapa, o soco, o beliscão nem sempre são as primeiras agressões. Ao contrário, normamente ocorrem quando se esboça algum tipo de reação.

Seja uma resposta à ofensa ou a negativa em fazer alguma coisa ordenada. Sim, a entonação é de ordem e muitas mulheres passam acreditar que realmente são obrigadas a fazerem o que seus parceiros pedem, simplesmente porque supostamente são provedores e elas devem ser resilientes tendo em vista o “amor tudo suporta”.

Não é verdade minhas caras leitoras, o amor não deve suportar tudo. Ao revés, se há violência física ou verbal, o amor já se retirou de mãos dadas com o respeito. O que sobrou foi o sentimento de posse e a necessidade do agressor descontar suas frustrações e inseguranças em vocês até que não lhes sobrem qualquer amor-próprio.

Portanto, é melhor que diante dos primeiros sinais de desrespeito, possessividade e chantagem emocional, pulem fora. Não tolerem qualquer tipo de violência, seja verbal ou física para que não se tornem estatística nesse Brasil tão inseguro para as mulheres.  

@jacbighouse

Facebook: Jacson Andrade

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