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ITÁLIA

O “Orador de Roma” que nasceu para ser líder e morto pelo povo.

Se você quer conhecer uma pessoa, dê poder a ela.

Mauro Beni

Mauro BeniMauro Beni é Jornalista Correspondente Internacional. Atualmente baseado em Roma, reporta notícias da Itália e do Hemisfério Norte.

01/06/2019 09h00Atualizado há 4 meses
Por: Mauro Beni
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Seu fim foi exatamente onde ele está até hoje.
Seu fim foi exatamente onde ele está até hoje.

Quem sobe a rampa do Capitólio em Roma nem imagina o que esta estátua do lado esquerdo representa. Mas quem foi ele? Qual a sua história? Por que esta estátua sem nome está aqui? É o Giordano Bruno? Não, não é! Vamos lá, acomode-se que eu vou explicar.

Seu nome era Nicola Grabini, mas para os romanos, ele foi Cola di Renzo (1313-1354), nascido em Roma, cresceu em Anagni, perdeu a mãe, Madalena quando tinha 7 anos, e o pai, Lorenzo Grabini quando tinha 20 anos. Autodidata se tornou um grande orador, também adquiriu um bom conhecimento do Direito Canônico e História da Roma Antiga, tinha amigos influentes que o encorajaram a completar a educação jurídica e a assumir a profissão de tabelião. Retornou a Roma em 1344.

Roma estava dominada pelo poder das famílias nobres, ao longo do tempo, e devido à fraqueza do regime papal assumiram cada vez mais a cidade em zonas de influência, exigindo impostos para a entrada na cidade. Eles lidavam com a justiça de uma maneira absolutamente pessoal. Naqueles dias era fácil acabar morto pela família rival, a violência e a opressão estavam na ordem do dia.

Sua glória foi anunciada em 1347, Cola apareceu no Capitólio e proclamou ao povo que a partir daquele momento a República havia sido restaurada. Gritos de aprovação cumpriram suas promessas de justiça, igualdade e justiça fiscal e, de repente, ele se viu de posse da plena autoridade de Roma, acabando com os confrontos sangrentos. As milícias populares contra as milícias mercenárias dos príncipes acabavam ali. Os nobres fugiram desesperados e o começo foi excelente porque Cola empreendeu sua atividade de governo manifestando tendências democráticas, diminuindo impostos, fortalecendo a ordem pública, consolidando a máquina judicial através de uma justiça imune a distinções.

A segurança e a paz voltaram e os cidadãos romanos estavam livres das regras ferozes e arbitrárias que os aristocratas haviam imposto. Ele ganhou o poder pelo amor do Papa e do Povo, ele emitiu as primeiras penas de morte pelo crime de assassinato, determinando a duração dos julgamentos em 15 dias, proibindo a demolição de casas, estabelecendo a milícia cidadã, fornecendo fundos para viúvas e órfãos, introduzindo um serviço de guarda costeira, levantando o monopólio salino dos Barões, exortando suas autoridades a controlar fortalezas, estradas e portos, revogando os direitos dos cidadãos de construir fortalezas, criando reservas de trigo contra a fome, concedendo indenização aos familiares dos soldados que caíram na guerra, exigindo a restituição de terras usurpadas pelo Estado e a punição de retaliação por falsos acusadores.

À margem dessa revolução sem derramamento de sangue, ele convocou a Aristocracia e obrigou-a a jurar lealdade ao povo de Roma. Em 1 de agosto de 1347, representantes das cidades italianas, a convite de Cola, reuniram-se em Roma para considerar a questão de uma Itália unida. Nápoles o corou “Orador do Povo”. Foi aí que seu declínio começou, quando declarou que todos os italianos eram livres e cidadãos de Roma e que só eles tinham o poder de escolher um imperador. Afirmações como essas e crescente ostentação resultaram em uma queda do entusiasmo popular e os barões romanos, liderados por Stefano Colonna, que imediatamente tiraram proveito disso planejando um golpe.

Mesmo o papa Clemente VI, que anteriormente o apoiara, não recebeu bem suas idéias sobre o Império Romano baseadas na vontade do povo e também ficou ansioso para se livrar dele. Em 20 de novembro, Cola corajosamente encontrou e derrotou os Colonna à frente de uma milícia romana, Giovanni Colonna e seu pai Stefano foram assassinados. No entanto, apesar de vitorioso, Cola ficou preocupado porque, carente de recursos e necessitado de um exército pessoal, impôs impostos extraordinários, agravados pelo aumento do custo dos grãos, causando descontentamento popular, mas a vitória também o fez perder toda a moderação: ele se tornou mais arrogante no comportamento e mais elegante nas roupas.

O papa, em 3 de dezembro emitiu uma carta declarando Cola um criminoso e convidando o povo romano a expulsá-lo. Cola fugiu para as montanhas de Abruzzo, foi capturado e enviado a Roma, teve sua prisão ordenada pelo Papa em agosto de 1352. Mas o destino veio em socorro de Cola, o papa Clemente VI morreu em dezembro do mesmo ano e seu sucessor Inocêncio VI, aproveitou-o, na esperança de usá-lo contra os barões de Roma.

Cola então aparece em agosto de 1354, acompanhado pelo legado papal, aclamado pelo povo e restaurado ao poder, mas mais uma vez cedeu à fraqueza de não reconhecer os limites de seu poder. Tendo se tornado insuportavelmente tirano, na madrugada de 8 de setembro de 1354, uma revolta explodiu incontrolavelmente. Ele foi chamado pela população ao Capitólio, sua guarda de escolta desapareceu, talvez, subestimando o acontecimento. Ele saiu para a sacada segurando a bandeira da cidade, mas não lhe foi permitido falar e tentou fugir disfarçado de plebeu e foi capturado e impiedosamente linchado.

Seu corpo foi arrastado e pendurado pelos pés e no terceiro dia ele foi queimado diante do Mausoléu de Augusto. Este foi o final sangrento do "Orador de Roma". Assim, ele foi queimado e transformado em pó. O Papa ordenou anistia a todos os envolvidos. O monumento dedicado a Cola di Rienzo, inaugurado em 20 de setembro de 1887 está no lugar onde, aproximadamente, o linchamento ocorreu: a estátua é de Gaetano Masini e é colocada em uma base composta por vários fragmentos escultóricos e epigráficos criados pelo arquiteto Francesco Azzurri.

Quando visitar Roma, esteja alerta para perceber que uma simples estátua pode ter uma história bem interessante. Aliás, Roma não é igual a nenhuma cidade da Itália, se for fazer um tour pelo país, recomendo que comece com ela, no mínimo 1 semana. Sabe quantas igrejas tem na cidade? São mais de 900 igrejas, mas esta é outra história.

Por Mauro Beni.

  • O “Orador de Roma” que nasceu para ser líder e morto pelo povo.
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