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7 anos de OITNB

Chega ao fim a série símbolo do Netflix

o fenômeno continua divertido e intrigante?

29/07/2019 23h02Atualizado há 4 semanas
Por: Jacson Andrade
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Acompanhei com grande entusiasmo a dramédia Orange Is The New Black (OITNB para os íntimos), uma das primeiras produções originais da Netflix, gigante da transmissão de filmes e seriados online, que se tornou um dos títulos mais vistos na história da plataforma.

O enredo, num primeiro momento é bastante simples e conta o drama da Piper Chapman (Taylor Schilling), jovem de classe média alta, que é presa numa cadeia de segurança mínima em razão do envolvimento no tráfico internacional de drogas encabeçado por sua namorada, Alex Vause, interpretada pela excelente Laura Prepon.

A primeira temporada mescla humor/drama e é a mais engraçada, porém há uma preocupação em sair do foco “White People Problem” enfrentado pela patricinha supostamente enganada pelo crime organizado. Com isto é dado mais destaque às histórias de mulheres marginalizadas, sem, contudo, tratá-las como vítimas.

Litchfield, também chamada de acampamento por ser menos violenta é dividida em três grupos. Ali negras, latinas e brancas convivem com razoável harmonia, existe, inclusive, um pequeno grupo neonazista que foi retratado de forma hilária como um bando de ignorantes viciadas em metanfetamina. Nenhuma ficção aqui.

O que mais me chamou a atenção foi a ausência de uma única protagonista, mesmo porque o papel da Piper era bem insosso e foram apresentadas personagens bem mais ricamente construídas. Como por exemplo: Crazy Eyes, Red, Maria, Taystee, Poussey e Dogget. Estas histórias acabaram se sobrepondo ao drama da pobre menina rica.

Com o sucesso da série lançaram no Brasil o livro que nela foi baseado e consegui lê-lo rapidamente. Curiosamente as páginas não possuem nem um terço da qualidade e do desenvolvimento do programa de televisão, contrariando o padrão que é o livro melhor que a adaptação para as telas.

As partes mais interessantes para mim, ficaram nas discussões propostas: como a tensão velada entre etnias, o abandono da mulher condenada, doenças mentais, drogas, pobreza, abusos de autoridade e privações de coisas mais básicas, como absorventes e alimentos. Por outro lado também vemos sororidade, histórias de amor e alguns finais felizes.

OITNB retrata essas questões com certa leveza e Litchfield parece um piquenique comparada à realidade brasileira na qual boa parte das celas estão superlotadas, muitas mulheres estão presas por crimes conexos aos de seus parceiros, principalmente tráfico de drogas (62%) e a população carcerária é composta em sua maioria por jovens até 29 anos, negras (68%), pobres e com pouca escolaridade (apenas 11% concluíram o ensino médio).

Uma vez incluídas no sistema carcerário, essas mulheres se tornam invisíveis e seus direitos mais básicos são violados. Não faz muito tempo o Supremo Tribunal Federal decidiu que, as acusadas em prisão provisória que tivessem filhos menores de doze anos deveriam aguardar o julgamento em prisão domiciliar.

A maioria que teria este direito permanece no presídio.

Recentemente dois carcereiros forçaram sexo com duas detentas sob a ameaça de impedirem que elas progredissem para o regime semiaberto, aplicando-lhes advertências por “indisciplina”. Assustador.

No entanto, ignoramos esses fatos porque preferimos desumanizar quem está na prisão.

Aqui vale a máxima “bandido bom é bandido morto”.

Vamos enjaulando os “bandidos” e já temos a quarta maior população carcerária do mundo. Em 2018 eram mais de 600.000 (seiscentos mil) no total, sendo 43.000 mulheres. Deste número 30% das prisioneiras, sequer tinham sido julgadas. O que é ilegal, salvo exceções. (Dados extraídos da pesquisa do Conselho Nacional de Justiça de 2018)

Acredito que a série, apesar de ser um fenômeno pop, permitiu às pessoas que estão distantes desta realidade perceberem este problema com mais empatia. Ao menos para mim, acompanhar o programa permitiu uma reflexão sobre a exclusão das mulheres convívio social e a grande vulnerabilidade por elas enfrentada.

Não se trata de “defender bandido”, mas respeitar a dignidade do ser humano e a lei. Pois tenho certeza que nenhuma lei penal prevê a pena de reclusão numa verdadeira masmorra medieval e o laranja não deveria estar na moda.

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