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DEBATE

Após ataque na Lagoa, população de rua vira alvo de debate no Rio

Defensor da União faz alerta: redução de políticas de saúde leva pessoas com problemas mentais às ruas

30/07/2019 13h08
Por: Abraão Farina
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Reprodução internet
Reprodução internet
A morte de duas pessoas por um morador de rua, na Lagoa, gerou muita polêmica entre os cariocas e entidades ligadas à população de rua. O debate acendeu um sinal de alerta sobre o tema. Ontem, o governador, Wilson Witzel, se solidarizou com as vítimas e anunciou que o estado vai ajudar a retirar os moradores das ruas e levá-los para abrigos.
Por outro lado, entidades e pessoas ligadas aos direitos da população de rua, que participavam, ontem, do Seminário Internacional ‘Experiências de sucesso no trabalho com quem vive na rua’, no Centro, escreveram um manifesto com repúdio “a qualquer tipo de tentativa de deslegitimar os direitos da população em situação de rua”.
“Vamos ajudar a tirar os moradores de rua, levá-los para abrigos, e evitar que outras tragédias como essa aconteçam. Estamos realizando, a partir de hoje, essa operação, para poder transformar a nossa cidade, cada vez mais, numa cidade linda”, disse o governador, durante coletiva de imprensa.
Grupo de trabalho 
O secretário de Estado de Governo, Cleiton Rodrigues, está coordenando um grupo de trabalho para promover o acolhimento de pessoas em situação de rua e a retomada do ordenamento urbano. Ontem foi realizada a primeira reunião do grupo, com diversos órgãos e secretarias do estado.
Serão estudadas formas de abordagem e encaminhamento para abrigos, além de abordados temas como o tratamento de problemas de saúde, de dependência química e a reinserção no mercado de trabalho. Pela manhã, o governador chegou a dizer que se fosse policial militar teria atirado na cabeça do autor dos ataques.
Policiais tentaram conter o homem com armas não letais, que não surtiram efeito. Ele acabou baleado na perna. “Se eu tivesse no lugar do policial, teria dado um tiro na cabeça dele”, declarou Witzel.
De acordo com o defensor regional de Direitos Humanos, da Defensoria Pública da União, Thales Treiger, a população de rua é heterogênea, e casos de pessoas com problemas psiquiátricos, com comportamento agressivo e envolvidos com crimes, não são a regra. “É preciso respeitar os direitos de ir, vir e de ficar. As medidas para resolver o problema precisam ser sustentáveis e duradouras. A crise econômica, juntamente com a redução das políticas assistenciais e de saúde, contribuiu para que essas pessoas com
problemas psiquiátricos, com personalidade agressiva, estejam nas ruas”, alertou.
Conforme o defensor, a população de rua triplicou nos últimos quatro anos. A estimativa é que o Município do Rio tenha cerca de 15 mil pessoas nas ruas da cidade, 5 mil só no Centro. 
Presidente da Comissão Especial de Políticas Públicas para a População em Situação de Rua da Câmara, o vereador Reimont (PT) diz que, atualmente, o número de pessoas nas ruas é maior do que a rede de acolhimento: “Enquanto a população em situação de rua cresce a olhos vistos, o prefeito tenta minimizar a questão, divulgando números duvidosos. O último balanço, de março de 2018, registrava 4.628 pessoas em situação de rua, em um inacreditável encolhimento de 67% em relação a 2016, quando foram identificadas 14.279 pessoas em situação semelhante”.
Críticas a abrigos
Quem depende do serviço de abrigamento do município, e recorre às unidades, relata péssimas condições. Um homem, de 57 anos, que não quis se identificar, diz que nem sempre há cobertor em um hotel do centro e reclama do horário em que os usuários são obrigados a deixar o local.
“A gente acorda às 5h e, meia hora depois, precisa sair. Não importa se faz frio ou calor, os funcionários não querem saber. Eles colocam a gente para fora, mesmo. Tem insetos e as condições são péssimas. Dignidade é o mínimo”, diz.
Já o manifesto das entidades alerta: “Se uma população que é invisibilizada só vem a ser assunto público quando há caso de morte, significa que falhamos muito enquanto sociedade. A população que vive nas ruas grita e precisa ser ouvida: essa situação não os define”.
A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos não comentou as declarações do governador. A pasta informou que o município possui 63 abrigos, sendo 39 públicos e 24 conveniados, totalizando 2.335 vagas. A ocupação média mensal dessas unidades, em abril, foi de 3.075 usuários. O acolhimento não é feito de forma compulsória. 
Ontem, na Lagoa, o clima era de comoção entre quem passava pelo local dos crimes. “É um sentimento de preocupação, de tristeza. Faço essa rota todos os dias com meu filho na volta da escola. A gente sabe que podia ter acontecido conosco. Foi mesmo um infortúnio, um surto psicótico”, comentou Cristiano Cintra, 37 anos, com o filho Gabriel, de 7.
Guardas municipais encontraram duas tesouras, uma faca e uma chave de fenda embaixo do Viaduto Saint-Hillaire, onde ocorreu o crime. Pessoas em situação de rua costumam dormir no local.

Esfaqueador já fez outras vítimas
O morador de rua Plácido Correa de Moura já havia atacado duas vítimas com uma faca, em janeiro de 2016. Ele agrediu dois seguranças da TV Globo, na entrada da emissora, no Jardim Botânico. As vítimas, que tiveram ferimentos leves, não quiseram denunciar Plácido, por isso ele não respondeu pelo crime. Em outubro de 2017, o morador de rua atacou a tijoladas um homem que passava no mesmo trecho onde aconteceu o ataque deste domingo.
Já em 2018, Plácido chegou a ser denunciado por desacato e resistência, após se negar a ser revistado por dois PMs. O caso ocorreu em frente à Escola Municipal Pedro Ernesto, na Lagoa.
Os agentes afirmaram que Plácido entrou em luta corporal com os policiais e foi conduzido algemado para a delegacia “por estar extremamente alterado”. O caso foi arquivado pela Justiça
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