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mulheres no front

Elas têm a força

Novas séries retratam mulheres fortes e independentes

28/09/2019 18h51Atualizado há 3 semanas
Por: Jacson Andrade
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Recentemente escrevi sobre violência doméstica  e como a situação é epidêmica no Brasil e os números, bem como a brutalidade, só aumentam em nosso país. Agora indico algumas séries que tratam do assunto de forma interessante que foge ao didatismo com a qual o assunto costuma ser tratado.

A excelente “Inacreditável” estrelada por Kaitlyn Dever, Toni Colette e Merritt Wever conta a história de duas policiais que investigam casos de estupro praticados por um sujeito mascarado que amarra suas vítimas e após o coito costuma tirar uma foto das vítimas para impedi-las de denunciá-lo.

Em paralelo é mostrada a luta de uma jovem, Marie Adler, que sofreu o mesmo abuso anos antes e foi desacreditada pela polícia de sua cidade. Não é preciso dizer que o tratamento cético e agressivo da polícia no caso de Marie desencadeou uma espiral de instabilidade numa jovem que já carregava diversos problemas de sociabilidade.

A minissérie baseada numa história real consegue demonstrar com sutileza o machismo inerente às forças de segurança no trato de crimes violentos contra mulheres e também demonstra o quanto é necessário um tratamento mais delicado em casos de abusos sexuais e violência doméstica.

Ainda mais no Brasil onde a maioria das delegacias não estão preparadas para lidar com esses casos pois há pouquíssimas delegacias da mulher e as demais não possuem recursos para esse tipo de atendimento.

                                                         

Dirty John – O golpe do amor,  também baseada numa história real, traz Connie Britton no papel da bem sucedida decoradora Debbie Newell, recém saída de um divórcio que conhece Jonh Meehan (Eric Bana) pela internet e com ele se casa em três meses.

Jonh faz absolutamente tudo por Debra, é romântico e antecipa suas necessidades, além de ser um cara bonito que se apresentou como cirurgião num grande hospital, com isso ele consegue envolve-la de tal forma que a protagonista acaba afastando a própria família.

Quando Debra começa a desconfiar das intenções do marido, ele se torna violento e começa a perseguir suas filhas. O retrato fiel dos relacionamentos tóxicos/abusivos e demonstra como agem os homens com perfil controlador.

É verdade que Jonh é um psicopata, mas algumas das atitudes dele podem ser praticadas por qualquer pessoa, principalmente, por aqueles que se alimentam e criam inseguranças na companheira a ponto de minar qualquer resistência. Conheço vários.

Além da minissérie também foi produzido um documentário que traz em primeira mão a narrativa das mulheres envolvidas e, ao menos para mim, traz mais clareza nos motivos que levaram Debra Newell a se entregar tão facilmente a este relacionamento tóxico.

                                                         

No documentário é dado voz a outras vítimas, inclusive uma escritora brasileira, Marileide Andersen, que namorou o psicopata durante um mês mas sofreu perseguição e ameaças por outros dois meses até a prisão de Jonh por posse de arma, roubo e perseguição.

O filme é um bom complemento à minissérie.

                                                          

Para não ficarmos apenas nas tragédias está disponível no Amazon Prime Vídeo duas temporadas da série “Fleabag” cuja protagonista, diretora e roteirista conquistou simplesmente três prêmios – Melhor série de comédia, melhor atriz e melhor roteiro - no último Emmy (Oscar da TV estadunidense). Phoebe Waller-Bridge é também a roteirista da badalada “Killing Eve”.  

Fleabag traz uma mulher de seus trinta anos, família rica e desenvolta com a sua sexualidade. Não é necessariamente linda, mas o charme e a inteligência a tornam irresistível. É como se ela tivesse tudo.

Porém a família não a respeita, vive num relacionamento de amor e ódio com a única irmã e sua madrasta (Olivia Colman) lhe trata com uma condescendência irritante que causa repulsa só de ouvi-la.

A medida que descobrimos que a Fleabag está de luto pela falecimento de uma amiga os problemas familiares de relacionamentos amorosos ficam pequenos. Porém, o luto também é tratado com leveza.

Com diálogos irreverentes e ágeis, uma protagonista que nos irrita e cativa quase na mesma medida, Fleabag nos faz rir de uma forma ácida e provocativa.

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