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POLÍCIA

Milícia matou motorista após descobrir que ele era informante da polícia

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26/11/2019 11h26Atualizado há 2 semanas
Por: Agatha Marques (Redação)
Fonte: EXTRA

Uma investigação da Polícia Civil concluiu que a maior milícia do Rio assassinou e sumiu com o cadáver de um homem que passava informações sobre a cúpula do grupo paramilitar a policiais. O motorista de aplicativo Vanderlei Lima da Silva, de 37 anos, nunca mais foi visto depois que saiu de casa na noite do último dia 17 de abril. De acordo com o inquérito da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), antes de desaparecer, o informante passou, por mensagem de texto a um policial civil, a localização exata de Wellington da Silva Braga, o Ecko, chefe da milícia que domina a Zona Oeste do Rio.

“Estou aqui agora. Não posso mais falar. É aqui que o Ecko está”, escreveu Vanderlei ao policial, por volta das 19h45. Em seguida, enviou a sua localização por GPS. O motorista estava dentro da Favela Três Pontes, principal reduto de Ecko. O informante avisou a policiais que, na ocasião, a cúpula da milícia faria uma reunião para discutir sobre a propriedade de um terreno na região.

 

Wellington da Silva Braga, o Ecko, que comanda a maior milícia do Rio de Janeiro
Wellington da Silva Braga, o Ecko, que comanda a maior milícia do Rio de Janeiro

 

Vanderlei, segundo depoimentos prestados por testemunhas à DDPA, tinha informações privilegiadas da milícia porque era amigo de infância de Jefferson Junio Terra Tavares, o Soldado, braço-direito de Ecko e um dos matadores da quadrilha. No final de 2017, o motorista procurou policiais civis para passar informações sobre a milícia. Na época, ele alegou aos agentes que tinha o sonho de ser policial e que não suportava mais “as covardias praticadas por Ecko e Soldado”.

O carro de Vanderlei foi encontrado carbonizado às margens do Rio Guandu seis dias após o crime. De acordo com o relatório final da investigação, assinado pela delegada Elen Souto, a conversa do informante com o policial foi flagrada pelos milicianos, que o torturaram e executaram em seguida. “Em que pese a nobre conduta da vítima em ajudar os policiais, o risco da morte era iminente”, escreveu a delegada ao finalizar a investigação. Ao final do inquérito, a Justiça decretou as prisões preventivas de Ecko e Soldado.

 

Soldado, braço direito de Ecko
Soldado, braço direito de Ecko Foto: Divulgação / PCERJ

 

Apreensão é indício de venda de drogas

Jefferson Junio Terra Tavares, o Soldado, amigo de infância e um dos acusados do homicídio de Vanderlei, foi preso em abril deste ano por agentes da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF). Com ele foram apreendidos um fuzil calibre 762, uma pistola calibre .40, um veículo roubado e diversos pinos com cocaína, preparados para a venda. A apreensão da droga é mais um indício colhido pela polícia de que paramilitares passaram a controlar a venda de entorpecentes em comunidades que antes eram dominadas pelo tráfico e foram invadidas.

Desde 2017, a milícia chefiada por Ecko já invadiu as favelas de Antares e Rola, ambas em Santa Cruz. A Polícia Civil já tem provas de que a venda de drogas não foi interrompida nas duas comunidades após a invasão. No mesmo bairro, a milícia e uma facção do tráfico firmaram uma espécie de convênio na Favela do Aço: os traficantes podem explorar a venda de drogas, contanto que paguem espécie de “pedágio” aos milicianos.

Wellington da Silva Braga, o Ecko, está foragido. Ele assumiu a chefia da milícia após seu irmão, Carlos Alexandre Braga, o Carlinhos Três Pontes, ter sido morto durante uma operação da Polícia Civil em abril de 2017. O Disque-Denúncia (2253-1177) oferece R$ 10 mil por informações que levem a sua captura.

 

Material apreendido com miliciano: drogas foram encontradas
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