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O que mata é a expectativa

El camiño, A lavanderia e O rei já estão disponíveis na plataforma

28/11/2019 12h22Atualizado há 2 semanas
Por: Jacson Andrade
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Já de um tempo não vejo traillers de filmes ou de séries para não gerar expectativas, porém, é inevitável não ficar ansioso com o lançamento de um produto que já conhecemos as personagens ou tem atores e diretores que gostamos envolvidos no projeto.

 El camiño é uma dessas obras que aguardei ansiosamente; derivada de Breaking Bad, produzida pelos mesmos criadores (Vince Gilligan) da excelente série fenômeno da cultura pop e considerada por muitos como uma das melhores obras da televisão em todos os tempos.

 Gostei de tudo na história do Walter White (Bryan Cranston); professor de química do ensino médio que ao descobrir um câncer decide produzir meta-anfetamina para garantir o futuro de sua família. Para tanto recorre ao ex-aluno indisciplinado Jesse Pinkman (Aaron Paul), seu pupilo e gerente no tráfico.

 A série tem um ritmo lento e não há informações gratuitas, portanto todas as cenas são construídas para levar ao clímax no final de cada temporada, é impressionante a sutileza de alguns elementos – não me esqueço do olho de um ursinho na piscina – numa obra que poderia descambar facilmente para tiros, porradas e bombas comuns  nas produções sobre gangsters.

                                                                 

El camiño foi desenvolvido para fechar a história do Jesse que no final de Breaking Bad escapa da condição de escravizado. Meu entusiasmo quando o filme foi anunciado também veio do fato de que a personalidade construída pelos criadores trazia um jovem deslumbrado com a possibilidade de ganhar dinheiro, só que não o fará em nome de tudo.

 Jesse é sensível, sente culpa, cuida dos outros e se aterroriza com a espiral de terror na qual o seu mestre mergulha. Jesse ainda possui alma, apesar de todos os preços que pagou e da violência que causou. É o único distante do cinismo inerente aos seus pares.

 No entanto, “El camiño” passou ao largo de trazer a complexidade do pobre Jesse Pinkman, o pobre rapaz que se deixou levar para o crime, foi torturado para proteger uma família, lamentou a morte de uma criança, perdeu a namorada e tirou pelo menos uma vida, na história que protagoniza se tornou apenas um fugitivo.

 Entre caretas de ódio e grunhidos quase selvagens não sobrou muito para se contar. Infelizmente o filme não complementa em nada a serie original.

                      

A lavanderia: O elenco de peso vem contar a história da Mossack e Fonseca, escritório de advocacia sediado no Panamá cuja especialidade era abrir empresas em paraísos fiscais para milionários que quisessem escapar do Fisco de seus respectivos países ou apenas lavar dinheiro de forma segura.

Panamá Papers é o nome do escândalo causado pelo vazamento de diversos documentos comprovantes dos malfeitos praticados pelos endinheirados mundo afora. Apesar de vários brasileiros serem citados nos relatórios, a coisa por aqui foi abafada rapidamente.

 O filme é conduzido por comentários da dupla Mossack e Fonseca - Gary Oldman e Antonio Banderas respectivamente. Ambos conversam com o espectador e explicam como funciona o esquema denunciado enquanto contam algumas histórias dos envolvidos.

Uma delas trata da viúva, Ellen Martin (Meryl Streep), que perdeu  o marido no naufrágio de um pequeno barco de turismo. Quanto tenta receber o valor do seguro acaba descobrindo que as empresas detentoras das apólices só existiam no papel e estavam registradas numa caixa postal nas Ilhas de São Cristóvão e Nevis, lugar bem flexível com regulações financeiras.

 Apesar do elenco estrelado, o filme é bastante mediano e copiou alguns recursos utilizados numa outra grande produção que disseca os esquemas da parte mais alta da pirâmide social, “ A grande aposta”. O que seria algo bacana deixou de ser novidade.

No mais, vale como registro das malandragens e dos verdadeiros dirigentes do mundo, inclusive há uma citação direta ao Brasil - como não poderia deixar de ser,  já que a mídia tupiniquim, também citada quando estourou o escândalo, rapidamente tratou de abafar o caso.

                                                               

O rei é uma megaprodução estrelada pelo jovem prodígio Timothée Chalamet, do muito bom “Me chame pelo seu nome”. A história de um príncipe inglês rebelde que se torna rei contra a sua vontade e em seguida se mete numa guerra com a França poderia ter muito mais intrigas e algumas batalhas bem sangrentas, mas não, tudo no filme é calmo.

Quem espera uma obra na linha do Coração Valente de Mel Gibson vai ficar bastante decepcionado.

Só espero que a grandiosa obra do Martin Scorsese com Robert DeNiro e Al Pacino seja tão deslumbrante como todos estão dizendo. O longa beeeem longa de 3 horas e meia estreou ontem.

                                                                

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