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Folia de milhões

O barato do Carnaval

São Paulo ultrapassou o Rio de Janeiro como maior carnaval de rua

13/02/2020 17h45Atualizado há 5 dias
Por: Jacson Andrade
fonte: Acervo da USP
fonte: Acervo da USP

Ah o carnaval, esse grito eufórico que ano após ano insiste em pulsar das gargantas dos brasileiros. Tá, eu sei que o evento ocorre em outros países, mas o carnaval é quase o que nos define, talvez seja o maior dos esteriótipos que taxam os brasileiros nos exterior, ao lado do futebol e dos “pelados” na praia. Ai de nós não amar o samba e não sorrir quando um gringo nos questiona sobre a matéria.

Festa que já foi tema de músicas, crônicas, contos, romances, novelas, é música, batida e movimento, é pecado e redenção. Acredito que até teses de doutorado já explorou os meandros do significado religioso, sociológico, antropológico, ético, filosófico, sexual e econômico do carnaval. Econômico é o nosso ponto.

Todo ano liberais na economia, porém conservadores nos costumes (hipócritas) fazem textões nas redes sociais condenando a balbúrdia (bacanal para alguns).

Quem não se lembra dos líder “conservador” perguntando o que era golden shower após publicar um vídeo escatológico de um dos carros de som que animava a folia?. Todo ano tem um prefeito que cancela o carnaval para investir em saúde e educação mas não se sabe para onde vai o dinheiro já que os índices nas cidadezinhas só pioram (nas grandes também).

Pois bem, todo ano essa gente compartilha o vídeo da Raquel Sherazade descendo lenha na festa demoníaca, isso antes de virar e desvirar a bonequinha de luxo da extrema-direita. Confesso que já compartilhei tal vídeo nos meus tempos de bom-moço. E todo ano, pela TV, vemos o amontoado de foliões suados atrás dos trios em Salvador e no Rio de Janeiro sob o olhar julgador dos Datenas da vida.

Normal, já estamos acostumados. Mas me espanta é liberal que não gosta de dinheiro, mesmo uma sociedade hipócrita como a estadunidense teve que tolerar a nudez da Playboy e Hustler, sem falar na popularização dos estúdios pornográficos e por fim a internet com seus milhares de vídeos, inclusive amadores. Sexo vende e é extremamente lucrativo. Também tiveram a lei seca que foi revogada e hoje liberaram a maconha em vários estados e o mesmo vale para os cassinos. Ou seja, dinheiro é mais importante do que a moral.

Entretanto, para os pudicos, o carnaval é uma fonte inesgotável de males:  gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis, lixo, violência, roubos, furtos, enchentes, peste bubônica e pragas egípcias. A cada ano a ira divina redobra. Senhor piedade dessa gente careta e covarde!

Porém se esquecem de um fato importante, o feriado traz dinheiro e muito. Principalmente em São Paulo – o túmulo do samba – que movimentou quinhentos e cinquenta milhões de reais em 2018, com os bloquinhos na rua e cento e oitenta milhões de reais com o desfile das escolas de samba. No ano passado a cidade movimentou a merreca de 2,1 bilhões de reais, segundo a prefeitura.  Este ano é esperado desfiles de aproximadamente 800 blocos um exagero como todas as coisas que ocorrem em São Paulo.

Para ser ter uma ideia, uma marca de bebidas pagou para a cidade 40 milhões de reais a título de patrocínio, a cidade receberá milhares de turistas e as reservas nos hotéis já ultrapassam 95% da capacidade disponível. Milhares de camelôs estão cadastrados para vender seus produtos nas ruas enquant bares e restaurantes nas adjacências dos desfiles, apesar da bagunça, aumentam seu faturamento em quase 30%. Verdadeira zona!

Eu sei que para os conservadores nos costumes é difícil ver o exercício de uma alegria fugaz/uma ofegante epidemia/que se chamava carnaval/vai passar...- mas façam um esforço e aceitem pelo menos o poder do dinheiro pois ainda que vocês não gostem, o pastor gosta.

                                                                                 

E caso não queiram lucrar aproveitem o retiro no monte e não encham o sac. Porque me guardei o ano inteiro para essa balbúrdia e ninguém vai me segurar (daquele jeito!), nem vai segurar a cidade que precisa desesperadamente engordar os cofrinhos nessa crise econômica sem precedentes. Beijos para os conservadores-de-coisa-nenhuma e forte abraço para os capitalistas sem capital que odeiam carnaval.

Como bem disse Dorival Caymmi: quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé.

                                                                                      

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