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EUROPA

A ARTE DA GUERRA.

De quem os EUA devem defender a Europa?

Mauro Beni

Mauro BeniMauro Beni é Jornalista Correspondente Internacional. Atualmente baseado em Roma, reporta notícias da Itália e do Hemisfério Norte.

16/03/2020 11h43Atualizado há 3 semanas
Por: Mauro Beni
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20 mil soldados americanos se espalham pela Europa
20 mil soldados americanos se espalham pela Europa "sem máscaras".

Desde o dia 06 de março, os isentos 20 mil soldados do exército americano chegam dos Estados Unidos em portos e aeroportos europeus para o exercício "Defender Europe 20", o maior destacamento de tropas americanas na Europa nos últimos 25 anos. Incluindo os que já estão presentes, são cerca de 30 mil soldados, apoiados por mais 7 mil dos 17 países membros da OTAN, incluindo a Itália.

A primeira unidade blindada chegou do porto de Savannah, nos EUA, ao de Bremerhaven, na Alemanha. No total, 20 mil militares equipados chegam dos EUA em portos europeus, entre eles, na Bélgica, Holanda, Alemanha, Letônia e Estônia. Outras 13 mil armas são fornecidas pelos depósitos pré-posicionados pelo Exército dos EUA na Europa, principalmente na Alemanha, Holanda e Bélgica.

30 mil soldados se espalharão por toda a região européia para "proteger a Europa de qualquer ameaça em potencial", com clara referência à "ameaça russa". No entanto, se considerarmos o diagrama das relações de potência de 1989 até hoje, percebemos como a Rússia não se expandiu, mas diminuiu, ao ponto de muitas de suas áreas, como Geórgia e Ucrânia, ou a Letônia e a Estônia agora serem independentes ou diretamente sob o "guarda-chuva atlântico".

Voltando aos fatos, comboios militares se moverão rapidamente ao longo de 4000 km de rotas de trânsito. Tais operações exigem a participação de dezenas de milhares de militares e civis de muitas nações. Na Polônia, 16 mil soldados dos EUA com cerca de 2,5 mil veículos chegarão em 12 áreas de treinamento. Os pára-quedistas americanos estão no Veneto a Brigada italiana na Letônia.

O "Defender Europa 20" é feito para aumentar a capacidade de implementar rapidamente uma grande força de combate dos EUA na Europa, mas isso acontece exatamente quando a Europa está com as fronteiras fechadas, seus habitantes dentro de casa trancados, e 30 mil soldados estão se espalhando pela Europa sem máscaras, isentas das regras preventivas sobre a pandemia que se aplicam aos civis. A provável hipótese seja de que o objetivo não seja defender a Europa, mas cercar cada vez mais, com intenções agressivas e não defensivas, a Rússia, por não estar alinhada com a nova ordem mundial e a esfera americana e garantir a sujeição estável da Europa, uma colônia dos EUA, dando a entender que a União Européia não é tão sólida, estável e unida.

O que torna a vida mais complicada no planeta terra é o fato de pessoas inteligentes estarem cheias de dúvidas e tolos terem apenas certezas e utopias. A minha pergunta é a seguinte: "-Por que haveria a necessidade de uma grande força de combate americana na Europa? De quem os EUA devem defender a Europa? Porque tudo o que ocorre principalmente na frente oriental, em direção à fronteira da Rússia?".

Na última sexta-feira, 13 de março, andei pelas ruas de Roma e senti o que poderia ser um cenário de guerra, com pessoas escondidas dentro de casa, confira:

De Roma, Itália, Mauro Beni.

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