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Cultura impeachment a vista

Presidente Impedido

Bolsonaro tenta uma saída honrosa

01/02/2021 21h39 Atualizada há 4 semanas
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Por: Jacson Andrade
Charge do Romulo Garcias
Charge do Romulo Garcias

As últimas duas semanas foram turbulentas para Jair Bolsonaro, acredito que as mais turbulentas desde o início do governo em 2019. Acontece que a condução do país durante a pandemia tem dado seus resultados e a insatisfação da população está manchando a imagem do presidente. Além da queda de popularidade, há milhões gastos no cartão corporativo onde sem transparência sobre as compras e a publicação das despesas do executivo não caiu nada bem para o cidadão médio. Foram empenhados 1,8 bilhão de reais, sendo 15 milhões em leite condensado e 2 milhões em chicletes, também forma liberados quase 3 bilhões em emendas parlamentares para garantir a eleição do candidato do governo à presidência da Câmara Arthur Lira (acusado de corrupção, peculato e desvios no esquema de rachadinhas), fatos que armaram a oposição e a mídia, juntamente com os fazedores de memes, os maiores cronistas de nosso tempo. 

Diante da explicação bem mal contada pelo governo, a metralhadora da mídia foi implacável, muito mais implacável que o escândalo dos 89 mil depositados na conta da primeira-dama pelo miliciano Queiroz – fiel cão de guarda da famiglia Bolsonaro e um dos pivôs na lavagem de dinheiro praticada por Flávio Bolsonaro, senador da República, segundo acusação do Ministério Publico do Rio de Janeiro. Corrupção grossa que caiu no esquecimento tamanha falta de novidades, mas o caso é bem interessante e mostra o modus operandi da família. Trata-se de dinheiro público para pagamento de funcionários que iam parar na conta de Flávio (olha a rachadinha aí de novo), por sua vez ele repassava o valor para financiar edifícios da milícia como aquele que desabou na Muzema, conforme petição do MP/RJ.

Nem a confusão com Sérgio (desaparecido) Moro causou tanto abalo no Planalto e tinha elementos tão ou mais suculentos que as notícias recentes. A trama teve acusações de traição dos dois lados combinado com interferência política na Polícia Federal, vazamento de uma reunião escabrosa onde vários tiozões do pavê falam bobagens no início de uma pandemia que já matou quase 250.000 pessoas segundo os dados oficiais – o número é bem maior segundo algumas projeções de cientistas. O vazamento e as acusações de Moro parecem ter fortalecido Bolsonaro naquele momento, porque a bomba esperada caiu como uma birimbinha e só deixou claro que o “conje” não entende muito de provas quando acusa e muito menos de política posto que sequer caiu atirando. 

Bom, nem o crescimento pífio de 1,1% do PIB em 2019, desemprego de 14% da população economicamente ativa ou a inflação galopante pareciam desanimar o núcleo duro do bolsonarismo.  Aquele formado por  tiozões de Raiban dirigindo seus Uber, carolas que abençoam o grande-chefe em correntes do whattsapp e cristãos de bíblia e fuzil (imaginário) nas mãos.  Afinal o auxílio emergencial garantido pela esquerda nas votações no congresso caiu religiosamente para quem acertou fazer o cadastro no sítio da Caixa Econômica Federal. Os mais pobres conseguiram comer e manter a popularidade do errádico governo em 30% (trinta por cento). 

Messias explodiu. Durante o jantar no dia 25 de janeiro, o presidente mandou a imprensa para a p*ta que par*u e vomitou outros palavrões que não agradaria seu eleitorado puritano. Enfim, o ataque histérico e infantilóide demonstra o quão acuado se encontra o capitão aposentado do exército. Não é difícil perceber este fato, já que até as correntes de fake news não conseguiram estancar a hemorragia. Bolsonaristas passaram o dia atônitos repetindo que o PT quebrou o Brasil e o “ungido” de Deus está lutando contra as forças comunistas – retórica gasta já faz algum tempo. 

Apesar desse arroubo, acredito que o Chefe do Executivo deseja sofrer um processo de impeachment e ser afastado da condução do país. Explico: já de um tempo ouvimos reclamações da parte dele, segundo o qual, a presidência só lhe trouxe sofrimento “minha vida é um inferno, não posso nem comer um pastel com caldo de cana em paz” disse ele em maio de 2020, tendo finalmente percebido que era melhor ser um deputado irrelevante, sacando dinheiro dos funcionários fantasmas (Wal do Açaí) e superfaturando abastecimentos em postos de gasolina ou utilizando apartamento funcional para “comer gente”. 

Bolsonaro percebeu no impeachment uma saída na qual ele conseguirá vender a imagem de vítima, o perseguido pela esquerda e pelas forças do mal comunista implantada através de um chip chinês contido na Coronavac. Ele sabe que as narrativas que constrói o impeachment não são políticas e na política há espaço para um grande acordo nacional, com Supremo e com tudo.  Nesse sentido, quem sabe não seria possível imunidade para si e para seus filhos, afinal Dilma manteve seus direitos políticos, o que não é previsto em caso de impeachment e caiu por conta de “pedaladas fiscais” que não passou de uma contabilidade “criativa” praticada por todos os governos para assegurar a meta fiscal – a pratica deixou de ser crime após o afastamento de Dilma. 

Voltando ao desejo (in)consciente do mandatário, temos todas as gracinhas durante a pandemia com estímulo às aglomerações, medidas contrárias ao isolamento social, chamou o vírus de gripezinha, não fez qualquer esforço para obter a vacina, foi o último a decretar estado de calamidade e fechar os espaços aéreos e terrestres, não permitiu que os aeroportos medissem a temperatura de quem chegava no Brasil antes dos primeiros casos confirmados. 

Hoje o discurso nas redes bolsonaristas defende que o STF atou as mãos de Bolsonaro ao permitir que estados e municípios teria certa autonomia para decidir sobre isolamento social, decisão que não isenta a união quanto a planos econômicos, gestão do Sistema Único de Saúde e a logística para suprimentos no combate ao coronavírus. A título de exemplo, o governo do Maranhão teve que se desdobrar para comprar suprimentos diretamente da China e transportá-los até o seu estado sob o risco de confisco pelo governo federal. Não é demais citar a incapacidade do ministério da saúde em mandar oxigênio para o Amazonas quando este estado notificou o ministério de que haveria falta diante do aumento dos pacientes nas UTIs – situação que contribuiu para a queda de popularidade.

Somada à queda de popularidade e o suposto superfaturamento do leite condensado, o inferno astral continua com João Dória - calça apertada - para os bolsonaristas, ter sido alçado à condição de defensor da ciência e da vida como bem mais precioso, em contraponto ao discurso de que a economia tinha que continuar girando apesar do crescente numero de mortos por covi-19. Os aliados no famigerado “bolsodoria” de 2018, se tornaram inimigos declarados. Alea jacta est. Dória já é considerado o queridinho da mídia para a eleição de 2022 e foi premiado com uma capa “chapa branca” da Istoé que mais parece informe publicitário, deixando claro que o voto antipetista vai retornar ao PSDB no próximo pleito. 

Já temos, portanto, os ingredientes para um impeachment, popularidade em baixa, solução viável para as próximas eleições (segundo a mídia), fatos econômicos que geram insatisfação no povo, algumas carreatas contra o governo, incompetência do Executivo na pandemia, inabilidade com o congresso e possível corrupção. A próxima fase é bater na tecla do impeachment todos os dias. Esse roteiro já funcionou duas vezes.

De minha parte sou contra afastar outro presidente, mesmo sabendo que a decisão é política e caso o congresso queira basta pegar uma das dezenas de possíveis crimes do capitão.  Sou contra em razão do respeito ao voto de 57 milhões de brasileiros, posto que não há no sistema que vivemos – o presidencialismo a possibilidade de derrubada do governo por incompetência, segundo porque o povo precisa entender a tragédia que está sendo essa (falta de) gestão. Em terceiro lugar não é bom para nenhum sistema político derrubar dois presidentes em menos de cinco anos e no caso brasileiro serão três quedas em quase 33 anos, isto representa instabilidade política e econômica que pode desaguar num governo totalitário – Bolsonaro é um pincher diante do que podemos ter numa volta à ditadura militar – o Vice-Presidente da República é milico de carreira. Por fim, não quero mandar nosso comandante à “PQP”, por que para ele seria o melhor dos mundos.

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