18°C 24°C
Cotia, SP
Publicidade

Nova derrota da Prologis: TJSP barra obras e prevê multa de R$ 5 milhões

Tribunal reforma decisão da Justiça de Cotia, volta a impedir construções e determina retirada de eventuais estruturas verticais, sob pena de multas milionárias.

Jornalismo
Por: Jornalismo
06/11/2026 às 10h02 Atualizada em 06/11/2026 às 10h22
Nova derrota da Prologis: TJSP barra obras e prevê multa de R$ 5 milhões

Cotia (SP) – A multinacional norte-americana Prologis sofreu mais um importante revés judicial na disputa envolvendo a construção de seu empreendimento logístico no km 26 da Rodovia Raposo Tavares, na Granja Viana. Em acórdão proferido nesta quinta-feira (5), a 2ª Câmara Reservada ao Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) reafirmou a paralisação das obras principais, proibiu expressamente a construção de estruturas verticais e estabeleceu multas que podem alcançar R$ 5 milhões.

A decisão representa um novo obstáculo para o projeto, que enfrenta uma prolongada disputa judicial com moradores do entorno, especialmente do Parque Silvino Pereira, em razão de questionamentos sobre possíveis danos ambientais, drenagem de águas pluviais e impactos às propriedades vizinhas.

O julgamento foi unânime, com relatoria do desembargador Luis Fernando Nishi e participação dos desembargadores Paulo Ayrosa e Miguel Petroni Neto.

A decisão foi tomada na Reclamação nº 2234652-20.2026.8.26.0000, apresentada pela Associação Melhoramentos Parque Silvino Pereira contra uma decisão da 1ª Vara Cível de Cotia que havia restabelecido autorização para a execução de etapas do empreendimento.

TJSP reforma parcialmente decisão da juíza de Cotia

O novo capítulo da disputa judicial ocorreu após uma decisão da Dra. Renata Meirelles Pedreno, juíza titular da 1ª Vara Cível de Cotia, que, ao determinar a complementação de uma perícia judicial, também restabeleceu autorização para a construção de galpões, prédios auxiliares e pavimentação de vias, pátios de manobras e outras estruturas do empreendimento.

A medida foi contestada pela Associação Melhoramentos Parque Silvino Pereira, que apresentou reclamação ao Tribunal de Justiça de São Paulo, sustentando que a autorização ultrapassava os limites estabelecidos em decisões anteriores da própria Corte.

Ao analisar o caso, os desembargadores acolheram parcialmente a reclamação e cassaram especificamente o trecho da decisão de primeira instância que permitia a retomada ampla das obras.

No acórdão, o relator, desembargador Luis Fernando Nishi, considerou que a autorização para a construção de galpões e pavimentação definitiva extrapolou os limites anteriormente fixados pelo Tribunal.

A Corte ressaltou que as decisões anteriores haviam autorizado apenas intervenções emergenciais e estritamente mitigatórias, destinadas à segurança do terreno e à proteção das propriedades vizinhas.

Multas de R$ 5 milhões e R$ 1 milhão por infração

Um dos pontos mais relevantes do acórdão é o endurecimento das medidas destinadas a assegurar o cumprimento da paralisação.

O TJSP proibiu a instalação de pilares, vigas, paredes, telhados, mezaninos e outras estruturas verticais relacionadas aos galpões ou edificações auxiliares. Também determinou que eventuais estruturas verticais construídas durante a vigência da autorização posteriormente cassada sejam removidas ou demolidas no prazo improrrogável de 10 dias.

Em caso de descumprimento dessa obrigação, foi estabelecida multa diária de R$ 100 mil, limitada inicialmente a R$ 5 milhões, sem prejuízo de eventual majoração ou adoção de outras medidas coercitivas. Além disso, o Tribunal fixou multa de R$ 1 milhão por ocorrência caso sejam constatadas novas intervenções de verticalização ou ampliação da área pavimentada.

Obras para proteger moradores das chuvas continuam permitidas

Apesar da proibição das obras principais, o TJSP fez uma ressalva expressa para intervenções necessárias à segurança do terreno e das propriedades vizinhas. Conforme o acórdão, poderão ser autorizadas medidas destinadas à estabilização física do terreno, à drenagem de águas pluviais e à mitigação de erosões, especificamente na porção próxima às unidades habitacionais representadas pela associação.

Essas providências deverão ser tecnicamente justificadas e autorizadas de forma específica pela Justiça de Cotia.

Para os desembargadores, obras de contenção e drenagem não podem ser confundidas com a construção de galpões industriais ou pátios definitivos de manobra de carretas.

Disputa judicial se prolonga e amplia dificuldades para a Prologis

O novo acórdão se soma a uma sequência de decisões judiciais que vêm restringindo o avanço do empreendimento na Granja Viana.

O Jornal Tabloide acompanha o caso desde seus primeiros desdobramentos, com reportagens sobre as denúncias de moradores, os questionamentos ambientais, as medidas judiciais e os sucessivos embargos.

Em dezembro de 2025, o Tribunal já havia determinado a paralisação das obras principais. No dia 18 daquele mês, conforme noticiado pelo Tabloide, a Justiça de Cotia reforçou a ordem de suspensão e estabeleceu multa diária de R$ 50 mil para eventual descumprimento. Desde então, o projeto enfrenta restrições judiciais, embora tenham ocorrido discussões e autorizações pontuais sobre intervenções no terreno.

Em novembro de 2026, a disputa chega a aproximadamente 11 meses desde a paralisação judicial determinada em dezembro de 2025, sem que a retomada plena das obras tenha sido liberada de forma estável.

As dificuldades também têm repercussões financeiras. Em fevereiro de 2026, o portal especializado Metro Quadrado informou que os atrasos e custos associados ao empreendimento já representavam um acréscimo estimado de R$ 120 milhões ao investimento inicialmente previsto de R$ 1 bilhão.

Na ocasião, Hermano Souza, responsável pelas operações da Prologis no Brasil, defendeu a regularidade do empreendimento e afirmou à publicação que a empresa estava segura de sua posição. A dimensão dos investimentos e a sucessão de decisões desfavoráveis colocam o futuro do projeto sob crescente pressão jurídica e econômica. 

O conflito envolve denúncias de possíveis irregularidades ambientais e urbanísticas, apresentadas por moradores e entidades da sociedade civil, entre elas o Conselho Nacional de Defesa do Cidadão (CONDEC). As reclamações incluem possíveis impactos sobre o solo, a drenagem e os imóveis vizinhos, além de questionamentos relacionados ao licenciamento do empreendimento.

A Prologis, por sua vez, já declarou publicamente que o projeto foi concebido e licenciado de acordo com a legislação e que considera atendidas as exigências técnicas e ambientais aplicáveis.

O Jornal Tabloide entrou em contato com a Prologis para solicitar um posicionamento sobre a nova decisão do TJSP, as restrições à continuidade das obras e os possíveis impactos sobre o cronograma do empreendimento.

Até o fechamento desta edição, na manhã de sexta-feira (6), a reportagem não havia recebido resposta.

O espaço permanece aberto para manifestação da empresa.

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Lenium - Criar site de notícias